“You’re So Vain”: Warren Beatty inspirou hit de Carly Simon


Em novembro de 1972, a cantora Carly Simon lançava o hit que consagrou-a definitivamente em seu início de carreira: “You’re So Vain” ficou em primeiro lugar nas paradas de sucesso norte-americanas e vendeu mais de um milhão de cópias ao redor dos Estados Unidos. A música rendeu a Simon o prêmio Grammy e ocupa a 82º posição no ranking da Billboard de melhores canções de todos os tempos.
Ao longo das décadas, o hit foi regravado por inúmeros artistas, incluindo Liza Minneli, Marilyn Manson (com participação de Johnny Depp), Janet Jackson, Queens of the Stone Age e, mais recentemente, Taylor Swift, que cantou ao lado de Carly Simon em 2013 durante a turnê Red Tour.


Ícone feminista, Carly Simon foi pioneira da liberdade sexual feminina, causando polêmica pela forma direta com que falava de corpo, trabalho e sexo: “You’re So Vain” (em português, “Você é tão convencido”), como mostra o refrão, é uma crítica direcionada a um amante egoísta: “You’re so vain/You probably think this song is about you” (“Você é tão convencido/Você provavelmente pensa que essa música é sobre você”).
À época de lançamento, as especulações a respeito da identidade do amante que teria inspirado o hit rechearam as páginas das colunas sociais. Mais tarde, Carly Simon revelou que “You’re So Vain” não trata especificamente de um homem, e sim de três. “Os homens sempre fizeram parte das minhas canções”, disse.

Carly Simon e seu primeiro marido, o músico James Taylor (Foto: Reprodução/Tumblr)

Carly Simon colecionou amantes de dentro e fora do show business: por mais de dez anos, foi casada com o cantor e compositor James Taylor; teve casos com os músicos Mick Jagger (que participa da gravação original de “You’re So Vain” como backing vocal), Cat Stevens, Kris Kristofferson e os atores Jack Nicholson e Warren Beatty.


James Taylor e Carly Simon (Foto: Reprodução/Tumblr)

Em sua autobiografia “Boys In the Trees: A Memoir” (sem tradução no Brasil), lançada em novembro de 2015, a cantora confirmou que Warren Beatty inspirou a segunda estrofe da canção.

“You had me several years ago when I was still quite naive
Well, you said that we made such a pretty pair
And that you would never leave
But you gave away the things you loved and one of them was me
I had some dreams they were clouds in my coffee, clouds in my coffee and….”

(“Você me teve muitos anos atrás quando eu ainda era muito ingênua
Bem, você disse que fazíamos um lindo par
E que nunca me abandonaria
Mas você se afastou das coisas que você amava, e uma delas fui eu
Eu sonhei que elas eram nuvens no meu café, nuvens no meu café e...”)

- Trecho de “You’re So Vain” dedicado a Warren Beatty


Warren Beatty em 1967 (Foto: Reprodução)

Segundo Simon, Warren Beatty, desde o princípio, sabia que a canção era sobre ele. “Ele me ligou agradecendo pela música...”, disse em entrevista ao Washington Post, em 1983. A cantora, porém, permanece silenciosa quanto à identidade dos outros dois “amantes convencidos”. Afinal, “You’re So Vain” é sobre quem? Veja o que a cantora revelou sobre seus amores do passado.

MICK JAGGER


"Mick é aquele gênio, um artista que prospera no escuro e na ousadia" (Foto: Reprodução)

“No estúdio, Mick e eu estávamos sós pela primeira vez desde a festa em Hollywood. Foi um pouco depois da meia-noite.
Mick e eu éramos muito próximos – a mesma altura, mesmo tom de pele, os mesmos lábios. Eu podia senti-lo, olhos fixos em mim. (…)
Eu estava arrebatada pela nossa proximidade, relembrando todas as vezes em que o imitei na frente do espelho do meu closet. Agora nós éramos dois Narcisos, um desejando refletir no outro.
Quanto mais distantes ficávamos, mais próximos nos tornávamos. Eletricidade. Era isso. Eu queria tocar sua nuca e ele estava olhando para os meus lábios. A eletricidade era crua e mal disfarçava seu poder.
Fazer sexo, na verdade, arrefeceria as coisas. Quando cantávamos juntos, a música que por tanto tempo esperava ganhar vida, finalmente explodia.
Mick é aquele gênio, um artista que prospera no escuro e na ousadia. E pode-se dizer que o nosso romance tinha as duas coisas.
Podíamos ter um ao outro. Mick foi casado por pouco tempo com Bianca [Jagger], que estava esperando por ele em um salão de primeira classe ou alguma suíte de hotel não muito longe dali.
E o mais importante para mim era a seriedade do meu amor por James [Taylor]. Ele não era o garanhão que Mick era, não era desobediente e nem tinha a intenção de destruir o status quo.”

CAT STEVENS


"Eu adorava contemplá-lo enquanto ele dormia, enquanto olhava para o céu ou para uma obra de arte" (Foto: Reprodução)

“De volta a Nova York, tive um encontro com Cat Stevens. Eu o convidei para jantar no meu apartamento e escrevi a música Anticipation enquanto aguardava a chegada dele.
Fomos amantes por pouco tempo. É muito íntimo falar dos nossos dois corpos juntos (...). Eu adorava contemplá-lo enquanto ele dormia, enquanto olhava para o céu ou para uma obra de arte.”

JACK NICHOLSON


"Meu lance rápido com o bonito, famoso, engraçado e inteligente Jack foi como um promissor aluguel de verão que é cancelado no último minuto" (Foto: Reprodução)

“Um dos homens mais talentosos pelos quais eu me apaixonei naquela época foi Jack Nicholson, que me foi apresentado certa noite no apartamento do meu amigo Jake. Ele chegou abraçado com uma namorada que mascava chiclete, e nos entreteve com histórias sobre os bastidores do seu filme Five Easy Pieces (...).
Eu apresentei meu repertório musical aos convidados, e posso dizer que Jack estava gostando da minha performance. ‘E se a gente for para o seu apartamento?’, disse ele, depois que sua garota foi embora e nós nos sentamos sozinhos. Ele era inacreditável e era ousada a ideia de voltar para o meu apartamento, sozinha com Jack.
Ele e eu fomos para minha sala de estar, onde Jack ficou sentado enquanto eu preparava um pote de café. Quando eu voltei trazendo dois copos, conversamos por alguns momentos e ele disse, sem cerimônias: ‘Você já tomou café no seu quarto?’
Na noite seguinte, Jack voltou. Ele apareceu muito tarde e tivemos quase uma noite doméstica, assistindo televisão e nos divertindo. Na mesma noite, ele me disse que estava querendo um relacionamento sério com uma moça.
‘Eu realmente gosto de te ver’, eu disse, ‘e estou feliz que você me disse isso antes de eu convidá-lo para o meu casamento, onde você será meu noivo’. Jack disse que eu era engraçada e ficou contente por eu ter entendido.
Meu lance rápido com o bonito, famoso, engraçado e inteligente Jack foi como um promissor aluguel de verão que é cancelado no último minuto.”

WARREN BEATTY


"Que belo exemplar de homem! Era tão bonito e charmoso que colocava todos os outros no chinelo" (Foto: Reprodução/Daily Mail/Associated Press)

“Warren Beatty me ligou para dizer que estava viajando para Nova York. Ele chegaria por volta das 00:30 ou 1 hora da manhã e iria direto para o meu apartamento. O problema era que ele iria embora às 5:30 porque precisava estar no set de gravação cedo. Mas ele tinha que me ver. Ele sentia minha falta.
Ele mal podia esperar para me encontrar. Acho que fazia um mês desde que havíamos nos conhecido. Que belo exemplar de homem! Ele era tão bonito e charmoso que colocava todos os outros no chinelo.
Warren tinha uma habilidade natural de manter casos com várias mulheres ao mesmo tempo e ele foi a minha casa como um cachorrinho no meu encalço. Quando ele chegou, fui recebê-lo pela porta da frente e ele me carregou até a cama. Fizemos amor como em um filme.
Como uma mesma fórmula pode funcionar com tantas mulheres? Era o gênio dele. Talvez eu estivesse apaixonada. Eu estava começando a me convencer disso.
Ele saiu com um pedaço de torrada que custava $5,20. Eu fiquei dormindo ainda por algumas horas e depois fui ao número 11 da 96th Street para minha consulta com meu terapeuta, Dr. L.
‘Uau! Que noite eu tive!’, falei. Dr. L me encarou estranhamente. Perguntei o que havia de errado e ele disse: ‘Sob essas circunstâncias, não posso negar... você não é a primeira paciente do dia que passou a noite com Warren Beatty.’ (...)
No ano seguinte, Warren inspirou um verso – ‘You had me several years ago, when I was still quite naive...’ – da música que se tornaria meu trabalho mais conhecido, ‘You’re So Vain’.”

Referências:

SIMON, Carly. Boys in the Trees: A Memoir. Constable – November, 2015 (trechos disponíveis em http://www.dailymail.co.uk/home/event/article-3335032/Carly-Simon-James-Taylor-Jack-Nicholson-Warren-Beatty.html)  

Foto de abertura: Reprodução/Tumblr

Império Retrô

Criado em 2010 por Rafaella Britto, o blog Império Retrô aborda a influência do passado sobre o presente, explorando os diálogos entre moda, arte e sociedade.

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