Por Rafaella Britto
“Moda,
na China, sempre fora política. Nos anos 50, as pessoas transformaram em moda o
estilo de vida do comunismo soviético. Gritavam slogans políticos como ‘Alcançar
os Estados Unidos e superar a Inglaterra em vinte anos’, e seguiam ao pé da
letra as últimas diretrizes do presidente Mao. Durante a Revolução, a moda era
ir para o interior para ser ‘reeducado’. Humanidade e sabedoria foram banidas
para lugares onde não se sabia que há locais neste mundo onde as mulheres podem
dizer ‘não’ e os homens podem ler jornais.
Os chineses nunca seguiam uma tendência por
escolha – foram sempre impelidos pela política. Nas minhas entrevistas com
mulheres, descobri que inúmeras das chamadas ‘modernas’ e ‘criadoras de
tendências’ foram forçadas a sê-lo e, depois, perseguidas pela moda que
adotaram. Os homens dizem que, hoje em dia, a moda são mulheres fortes, mas as
mulheres acreditam que por trás de toda mulher de sucesso, há um homem que lhes
causa sofrimento. (...)”
(Xinran
em “As Boas Mulheres da China” – 2002 – pág. 238)
