Relembrando Louise Brooks em 7 filmes inesquecíveis

Por Rafaella Britto*


Louise Brooks é considerada uma das mais espetaculares atrizes de todos os tempos: nascida em Cherryvale, Kansas, em 14 de novembro de 1906, conquistou notoriedade após suas aparições na Broadway, como dançarina do famoso grupo Ziegfeld Follies. Seu corte de cabelo chanel, e seu tipo físico roliço e de seios pequenos, lançaram moda e inauguraram um novo ideal de beleza entre as mulheres da década de 1920. Versátil, interpretou desde garotas imaculadas a polêmicas mulheres dominadoras de si. Em contrapartida a dramaticidade teatral característica do cinema mudo, seu estilo de atuação era espontâneo, o que a distinguia dos demais atores e atrizes de seu tempo. Namorou homens cobiçados, dentre eles, Charlie Chaplin. Irreverente, Lulu (como era conhecida) dizia o que queria e o que pensava, atitude que poria um ponto final a sua carreira cinematográfica ainda cedo.
Como declarou Henri Langlois, diretor da Cinematèque Française: “Não existe Garbo. Não existe Dietrich. Existe apenas Louise Brooks”. Da comédia ao drama, relembre 7 filmes inesquecíveis de Lulu:

Lulu vestindo figurino de Jean Patou em "A Caixa de Pandora", 1929 (Imagem: Tumblr)

Amá-las e Deixá-las (1926) – A comédia romântica “Amá-las e Deixá-las” (Love’Em And Leave’Em), de Frank Tuttle, narra a história das irmãs Mame Walsh (Evelyn Brent) e Janie (Louise Brooks). A antiquada Mame sente-se responsável por Janie, uma flapper moderna com muita sede de diversão. Certa ocasião, Mame viaja, e quando volta descobre que seu pretendente está apaixonado por Janie.

"Love'Em and Leave'Em" (Frank Tuttle, 1926) - (Foto: Reprodução)

Risos e Tristezas (1926) – Na comédia “Risos e Tristezas” (It’s the Old Army Game!), dirigida por Edward Sutherland (com quem Lulu se casou em junho do mesmo ano) e estrelada pelo aclamado comediante norte-americano W.C Fields, Louise Brooks fez sua quarta aparição nas telas do cinema. O roteiro é baseado no número de revista “The Comic Supplement”, de Joseph P. McAvoy, e inclui sátiras de peças de W.C. Fields.

"It's the Old Army Game" (Edward Sutherland, 1926) - (Foto: Reprodução)

Mendigos da Vida (1928) – A jovem Nancy (Lulu) vive uma relação de abuso com seu padrasto, e decide matá-lo. Assustada, foge com um jovem vagabundo que passava pelas redondezas, Jim (Richard Arlen). Disfarçada de homem, junta-se a um grupo de mendigos. Apaixonados, Nancy e Jim envolvem-se em aventuras para fugir da polícia e chegar ao Canadá. Considerado o melhor filme de Louise Brooks nos Estados Unidos, “Mendigos da Vida” (Beggars of Life) foi um dos primeiros filmes mudos a possuir sequências faladas.

"Beggars of Life" (William A. Wellman, 1928) - (Foto: Reprodução)

Uma Noiva em Cada Porto (1928) – “A Girl In Every Port”, comédia dirigida por Howard Hawkes (diretor de “Bringing Up Baby” e “Os Homens Preferem as Loiras”), narra a rivalidade entre dois marinheiros, intensificada quando a bela e misteriosa Marie (Lulu) aparece em suas vidas. Uma nova versão de uma “Uma Noiva em Cada Porto” foi filmada com o título de “Goldie”, em 1931, estrelando Jean Harlow e Spencer Tracy.

"A Girl in Every Port" (Howard Hawkes, 1928) - (Foto: Reprodução)


A Caixa de Pandora (1929) – Dirigido por G.W. Pabst, o ousado drama alemão “A Caixa de Pandora” (Die Büchse der Pandora) consagraria para sempre a imagem da jovem atriz. Nele, Louise Brooks interpreta seu alter ego, a prostituta Lulu, mulher imoral, mas ingênua, que seduz à sua volta homens e mulheres, levando-os a perdição e loucura. O roteiro, também escrito por Pabst, foi baseado na peça homônima do dramaturgo Franz Wedekind, porém há quem afirme que as trágicas e tumultuadas experiências amorosas de Brooks teriam servido de inspiração para o enredo. Alvo da censura, “A Caixa de Pandora” foi um dos primeiros filmes a fazer alusão explícita à homossexualidade, e desnuda o universo da pobreza e da prostituição em uma Alemanha arrasada pela guerra. Quase nove décadas após seu lançamento, “A Caixa de Pandora” é considerado uma das grandes obras-primas do expressionismo alemão.

"A Caixa de Pandora" (G.W. Pabst, 1929) - (Foto: Reprodução)


Diário de Uma Garota Perdida (1929) – O segundo e último filme da parceria entre Louise Brooks e o cineasta G.W. Pabst, e não menos controverso que a obra anterior: em “Diário de Uma Garota Perdida” (Tagebuch einer Verlonen), Brooks é Thymian, uma garota comum. No dia de sua crisma, Thymian ganha de presente um diário, onde passa a relatar os acontecimentos de sua vida e suas perturbações de espírito. No mesmo dia, recebe a notícia da morte repentina de sua empregada. O jovem Meinert (Fritz Rasp), assistente de seu pai nos negócios da família, promete consolá-la da trágica notícia. Oportunista, Meinert violenta Thymian, e a engravida. A garota dá à luz a criança ilegítima, porém se recusa a criá-la. Desonrada, é enviada pela família a um reformatório. Rebelde às severas regras do local, Thymian foge e, desolada, é forçada pelas circunstâncias da vida a sobreviver da prostituição. O roteiro de “Diário de Uma Garota Perdida” é baseado no polêmico romance de mesmo nome, da autora Margaret Böhme, publicado no ano de 1905. Uma primeira versão da obra literária para o cinema foi filmada em 1918 por Richard Oswald, e atualmente encontra-se perdida.

"Diary of a Lost Girl" (G.W. Pabst, 1929) - (Foto: Reprodução)


O Drama de Uma Noite (1929) – Essa é a primeira aparição de Louise Brooks no cinema falado, e marca o fim de sua carreira cinematográfica. No suspense inspirado pelo romance policial de S.S. Van Dine, Louise Brooks é “o Canário”, showgirl e atriz do teatro de revista, obcecada pela ideia de casar-se com o jovem rico James Spotswoode (James Hall). Certa ocasião, “o Canário” é misteriosamente assassinado, e somente o renomado detetive Philo Vance (William Powell) será capaz de desvendar o mistério.
A película foi inicialmente filmada como um filme mudo e, posteriormente, dublada. Louise Brooks recusou a oferta de US$10.000 para dublar sua personagem, sob o pretexto de que não tinha obrigações com a Paramount, e retornou a Alemanha para trabalhar novamente com G.W. Pabst. Sua voz foi dublada pela atriz Margaret Livingston. O estúdio advertiu-a de que ela poderia jamais voltar a trabalhar em Hollywood novamente, ao que ela reagiu: “Quem quer trabalhar em Hollywood?” A publicidade hollywoodiana envolveu-a em escândalos, e Louise não mais interpretou papéis relevantes. Chegou a estrelar filmes B, fracassos de crítica e público, até retirar-se definitivamente da carreira cinematográfica, no início dos anos 1930. 
"The Canary Murder Case" (Malcolm St. Clair, 1929) - (Foto: Reprodução)


*Publicado originalmente no site Universo Retrô, em 11 de agosto de 2015

Império Retrô

Criado em 2010 por Rafaella Britto, o blog Império Retrô aborda a influência do passado sobre o presente, explorando os diálogos entre moda, arte e sociedade.

2 comentários:

  1. Nossa e tem como não se apaixonar pela Lulu? ela me marcou muito, uma mulher maravilhosa e única! Tem uns filmes dela que não vi da sua lista, mas quero ver! Lindo post amiga, te amo!

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    1. Ahhh, amiga! Lulu é maravilhosa! Corra pra assistir, porque todos os filmes são lindos.

      Fico feliz que tenha gostado, meu amor! Beijos! ♥

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