A vida e o estilo de Marianne Faithfull

Por Rafaella Britto


Dama da Swinging London, Marianne Faithfull ditou as bases do rock ‘n’ roll chic: ícone atemporal de moda e beleza, a cantora e atriz britânica tornou-se famosa na década de 1960 devido ao seu casamento com o Rolling Stone Mick Jagger. Sua vida e seu estilo transformaram-na em símbolo de uma época.

(Foto: Reprodução)

1960

De origem aristocrática, Marianne Evelyn Gabriel Faithfull nasceu em Londres, em 29 de dezembro de 1946, filha de uma baronesa e de um oficial do Exército Britânico e professor da Universidade de Londres. A partir de 1964, a adolescente de 16 anos tornou-se cantora profissional, apresentando-se em cafés londrinos. Numa destas ocasiões, foi descoberta por Andrew Loog Oldham, produtor dos Rolling Stones. Marianne Faithfull emergiu no cenário musical com sua canção de estreia, “As Tears Go By”, composta por Mick Jagger e Keith Richards.


Em 1965, Faithfull casou-se com o artista e colecionador de arte John Dunbar, com quem, em novembro do mesmo ano, teve um filho, Nicholas. Nesse ínterim, tornou-se amante de astros do rock, e apaixonou-se por Mick Jagger, com quem permaneceu de 1966 a 1970. “Meu primeiro passo era ter um namorado Rolling Stone. Dormi com três e decidi que o vocalista era a melhor aposta” – disse ao The GuardianMarianne e Jagger formavam o casal fashion mais famoso da Swinging London.


Marianne Faithfull e Mick Jagger, o casal fashion mais famoso da Swinging London (Fotomontagem/Império Retrô)

Marianne foi uma das mulheres mais fotografadas de sua época, sendo musa de nomes como Helmut Newton, Cecil Beaton e Robert Mapplethorpe. Apesar disso, ela não gostava de ser modelo. “Nunca me achei bonita”, disse. Ao longo de sua carreira, buscou desfazer-se da imagem de sex symbol. “Os anos 60 foram tão sexuais e eu nunca fiquei confortável com isso. Quero dizer, o sexo era fantástico. Eu amo sexo, ou amava, claro. Mas ser reduzido a isso diminui uma pessoa. (...) Eu tive que achar meu próprio caminho.”


(Foto: Reprodução/Terry O'Neill, 1967)

1970

Em 1970, já separada de Mick Jagger, Marianne afundou-se no vício das drogas e contraiu anorexia nervosa. Nesta época, fez poucas aparições públicas, sendo uma delas em 1973 na NBC, interpretando o hit de Sonny & Cher “I Got You Babe” ao lado de David Bowie.


Com David Bowie em 1973 (Foto: Reprodução)

“As drogas me destruíram. Um homem viciado é sempre glamoroso. Mas uma mulher nessa situação se torna uma vadia e uma mãe ruim”. Faithfull vagou pelas ruas londrinas por quase dois anos, até ser encontrada em 1971 pelo produtor Mike Leander, que pretendia reavivar sua carreira, produzindo parte de “Rich Kid Blues” – álbum que seria lançado somente em 1985. “Foi um completo anonimato. Eu quis desaparecer – e desapareci. Eu queria estar fora daquele mundo. Não é que eu não amasse Mick, ou que não amasse as pessoas da minha vida. Eu não estava indiferente a isso. Eu não deixei de – embora seja uma grande honra – ser uma musa. Mas é um trabalho muito difícil”.


(Foto: Reprodução)

A cantora retornou a cena musical em 1979, com o lançamento de um dos mais aclamados álbuns de sua carreira, “Broken English”. Diferentemente da doce sessentinha, a Marianne punk, de calças e jaquetas de couro, apresenta timbre grave. A mudança em sua voz deveu-se a uma laringite e ao constante abuso de cocaína.


1980

Na década de 1980, Marianne sofreu uma parada cardíaca, e após desastrosas aparições públicas, passou por reabilitação e tratamento contra o vício em drogas. Em 1987, Faithfull reinventou-se novamente no jazz e blues. Nesta época, a cantora amadurece sua atitude e seu estilo rock ‘n’ roll. “Graças a Deus, eu não usei ombreiras!”.


(Foto: Reprodução)

Atualidade

Hoje, Marianne vive uma “vida solitária” entre Paris e Dublin, e só veste preto. “Eu sempre uso preto. É mais anônimo. Uma vez que você para de se ver inteiramente como um objeto sexual, muita inspiração de moda se vai.” Seu guarda-roupa é composto por presentes de Karl Lagerfeld e Stella McCartney. “Eu adoro ir aos desfiles dela [Stella McCartney], mas vou principalmente para ver Paul [McCartney]. Eu sempre amei Paul – não sexualmente, embora eu ache que Linda nunca tenha acreditado nisso.”
A musa confessa que, se pudesse, compraria todas as peças da Chloé e Akris, mas mantém-se distante de seus amigos do circuito fashion. “Exceto Kate [Moss] – ela é uma exceção, porque ela é talentosa e interessante, o que é raro.”


(Foto: Reprodução/Helmut Newton, 1999)

Como atriz

Paralelamente a carreira de cantora, Marianne Faithfull conquistou sucesso também como atriz: em 1967, participou do filme “I’ll Never Forget What’s ‘is Name”. No mesmo ano, contracenou com Jean-Claude Brialy no número musical “Hier or Demain”, no telefilme francês “Anna”, estrelado por Anna Karina, e com trilha sonora composta por Serge Gainsbourg. Seu papel de maior destaque foi no clássico cult “A Garota da Motocicleta”, como par romântico de Alain Delon. Em 1969, interpretou Ofélia na adaptação cinematográfica de Hamlet, dirigida por Nicol Williamson. Participou, ainda, da comédia “Absolutely Fabulous” (1992) e “Maria Antonieta”, de Sofia Coppola (2006).

Alain Delon e Marianne Faithfull no set de "A Garota da Motocicleta", 1968 (Foto: Reprodução)

Atitude Marianne Faithfull

Em entrevista concedida ao The Guardian em 16 de fevereiro de 2013, Marianne afirmou não sentir-se ela mesma em determinados momentos. “Há tantos mitos sobre Marianne Faithfull que eu tive que desconstruir. Mas Marianne Faithfull é uma atitude, você sabe.” A entrevistadora Hadley Freeman pergunta qual é a atitude Marianne Faithfull. “A atitude é: fuc* off”, responde a musa.

Foto de abertura: Reprodução

Império Retrô

Criado em 2010 por Rafaella Britto, o blog Império Retrô aborda a influência do passado sobre o presente, explorando os diálogos entre moda, arte e sociedade.

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