Grandes Figurinistas: Edith Head

Por Rafaella Britto

(Foto: Reprodução)

A favorita de Hollywood coleciona 35 indicações ao Oscar, tendo vencido 8 vezes – feito inigualável na história do Prêmio da Academia. No entanto, ela não era atriz. Detentora de uma extensa carreira que ultrapassa 50 anos, a figurinista Edith Head encantou o mundo, e deixou sua marca na história da moda e do cinema norte-americano.


(Foto: Reprodução)

Edith Claire Posener nasceu em San Bernardino, Califórnia, em 28 de outubro de 1897. Muito embora fosse oriunda de família judaica, a pequena Edith, por influência do padrasto, cresceu sob os preceitos católicos.

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Em 1919, aos 22 anos, Edith completou sua licenciatura em artes e letras pela Universidade da Califórnia. No ano seguinte, tornou-se mestra em línguas pela Universidade de Stanford, e passou a lecionar francês e espanhol.
Em busca de melhores salários, desenvolveu suas parcas habilidades em desenho no Chouinard Art Institute, em Los Angeles, e passou a sustentar-se como professora de desenho.
Em 1923, casou-se com Charles Head, irmão de uma de suas colegas de classe no Chouinard. Embora tenham se divorciado em 1936, Edith levou o sobrenome do ex-marido em sua carreira profissional por toda a vida.
Em 1924, apesar de não possuir experiência em desenho de moda, Edith Head foi contratada para trabalhar no departamento de figurino da Paramount Pictures. Anos mais tarde, revelou que, para a entrevista de emprego, levou desenhos emprestados de seus alunos. “Acho que, quando somos jovens, não temos o mesmo senso de honestidade de quando somos mais velhos”, disse em entrevista concedida no ano de 1978.
Inicialmente, Edith foi assistente de Travis Banton e Howard Greer, principais designers da Paramount. Desempenhou seus primeiros trabalhos como figurinista no filme mudo “The Wanderer”, de 1925, estrelado pela atriz Greta Nissen.


Os primeiros figurinos de Edith Head no cinema: Greta Nissen em "The Wanderer" (1925) - (Foto: Reprodução) 

Após a saída de Travis Banton da Paramount, em 1938, Edith Head assumiu o posto de designer principal. Durante os primeiros anos de sua carreira como designer-chefe da Paramount, casou-se com o cenógrafo Wiard Ihnen. O casal permaneceria unido até a morte dele, em 1979, vítima de câncer de próstata.
Seu primeiro trabalho de reconhecimento foi o vestido sarongue de Dorothy Lamour no filme “The Hurricane”, de 1937. A partir de então, seguiram-se sucessos como o figurino de Ginger Rogers em “Lady In The Dark”, de 1944.


Dorothy Lamour em "The Hurricane" (1937) - (Foto: Reprodução)

Ginger Rogers em "Lady In The Dark" (1944) - (Foto: Reprodução)

Edith Head foi indicada pela primeira vez ao Oscar de Melhor Figurino em 1948 (ano em que a categoria de Melhor Figurino foi integrada ao Prêmio da Academia), pelo filme “A Valsa do Imperador” (“The Emperor Waltz”), estrelado por Joan Fontaine e Bing Crosby. Iniciava, assim, sua consagração mundial, e uma inigualável tradição de indicações anuais, que se sucederam de 1948 a 1966.


Joan Fontaine em "A Valsa do Imperador" (1948), filme pelo qual Edith Head conquistou sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Figurino - (Foto: Reprodução)

Edith buscava fazer com que seus figurinos dialogassem com a narrativa do filme, beleza e personalidade dos atores e atrizes, e sua dramaticidade agradava aos mais célebres diretores como Alfred Hitchcook (de quem foi parceira em dezenas de produções de sucesso como "Notorious", de 1946, e "Os Pássaros", de 1963), e estrelas como Bette Davis, Ginger Rogers, Shirley McLaine, Sophia Loren e Elizabeth Taylor.


Edith Head e Audrey Hepburn, 1953 - (Foto: Reprodução)


Edith Head e Natalie Wood - (Foto: Reprodução)

Edith Head veste Sophia Loren - (Foto: Reprodução)

A figurinista afirmava que o objetivo do cinema não era ser lançador de tendências de moda, no entanto, as roupas desempenhavam papel crucial na obra cinematográfica. Para ela, as pessoas não percebiam o impacto da moda em suas vidas, ou como poderiam parecer belas ou horríveis, e isto tornava-a mestra da situação: Head despertava no público sensações através de suas roupas.


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Head é responsável pela marcante silhueta de Barbara Stanwyck: Stanwyck possuía cintura larga, de maneira que Edith buscava atrair a atenção para os seios e ombros da atriz, com cintos largos e peças de cintura alta.


Barbara Stanwyck em "As Três Noites de Eva" (1941) - (Foto: Reprodução)

A lendária figurinista tornou-se consultora de moda oficial do red carpet das cerimônias do Oscar. Por conta disto, recebeu o título de "dress doctor". “Suas roupas devem ser justas o suficiente para revelar que você é mulher, e soltas o necessário para mostrar que é uma lady”, dizia. Foi autora de dois livros que dissertam acerca de sua filosofia da moda: "The Dress Doctor" (1959) e "To Dress For Success" (1967).

Vestido "blue Champagne", usado por Grace Kelly no Oscar de 1955 - (Foto: Reprodução)

Olivia de Havilland em "The Heiress" (1949) - (Foto: Reprodução)

Bette Davis em "A Malvada" (1950) - (Foto: Reprodução)

Liz Taylor em "A Place in the Sun" (1951) - (Foto: Reprodução)

Audrey Hepburn em "A Princesa e o Plebeu" (1953) - (Foto: Reprodução)

Grace Kelly em "Ladrão de Casaca" (1955) - (Foto: Reprodução)

Grace Kelly em "Ladrão de Casaca" (1955) - (Foto: Reprodução)

Anne Baxter em "Os Dez Mandamentos" (1956) - (Foto: Reprodução)

O estilo pessoal de Edith Head não passava despercebido: admiradora de Coco Chanel, a artista fez dos penteados com coques, conjuntos sociais e óculos redondos sua marca registrada. Edith trabalhou para a Paramount por 44 anos e, em 1967, iniciou sua breve carreira nos estúdios da Universal.

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A esta altura, os estúdios adaptavam-se aos avanços tecnológicos e a maneira de fazer filmes começava a mudar. Head desenvolveu trabalhos para a televisão, onde passaram a atuar alguns de seus antigos amigos da Era de Ouro de Hollywood, como Olivia de Havilland.
Em fins da década de 1970, Edith foi convidada a criar o uniforme da Guarda Costeira dos Estados Unidos. Seu último projeto cinematográfico foi a comédia “Dead Men Don’t Wear Plaid”, com Steve Martin e Carl Reiner.

Edith Head com suas oito estatuetas do Oscar de Melhor Figurino - (Foto: Reprodução)

Faleceu quatro dias antes de seu aniversário de 84 anos, em 24 de outubro de 1981.
Edith Head possui uma estrela na calçada da fama de Hollywood, e o legado de sua moda de luxo e glamour é ainda objeto de apreciação nos mais de 400 clássicos do cinema nos quais trabalhou. 

Império Retrô

Criado em 2010 por Rafaella Britto, o blog Império Retrô aborda a influência do passado sobre o presente, explorando os diálogos entre moda, arte e sociedade.

5 comentários:

  1. “Suas roupas devem ser justas o suficiente para revelar que você é mulher, e soltas o necessário para mostrar que é uma lady”,

    Melhor dica de como se vestir bem que já li.

    www.semprebailarina.com.br

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    1. Concordo plenamente, Lais! Uma das dicas de moda mais sucintas e sábias da história.

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  2. Do cinema clássico, ela é minha estilista favorita :)

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    1. Tem algum post sobre a Natacha Rambova?

      Ps. O blog é excelente!!!

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    2. Logo haverá matéria especial sobre a Natacha. ;)

      Fico feliz que tenha gostado! Muita obrigada pela visita e volte sempre!

      Beijos! <3

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